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Um adolescente coisificando coisas de adultos

Autor: Rúben de Matos

Um adolescente coisificando coisas de adultos

Autor: Rúben de Matos

Isto de pensar

Pensar: fazer uso da razão para depreender, julgar ou compreender; encadear ideias de forma lógica; raciocionar. É desta forma que o já velhinho dicionário define o verbo pensar. Se a vida fosse tão linear quanto uma definição de um dicionário estávamos bem. O que é certo é que não só nem assim o é, como também está muito longe de o ser.

 

A gíria di-lo, e é verdade: somos nós quem tem a faca e o queijo na mão. O homem tem à sua disposição uma série de ferramentas que lhe permitem tomar, não digo as decisões mais acertadas, mas as decisões mais ponderadas. Ponderamos os prós e os contras, prevemos as consequências que daí podem advir. O homem pensa, pensa, pensa… e acaba por ficar a nadar num molho de bróculos. Negativamente falando, a capacidade de o Homem refletir sobre a realidade que o rodeia traduz-se em muitas indecisões. Quantos de nós, colocados perante uma escolha importante, seja no âmbito profissional ou no âmbito pessoal, se sente como um catavento?: Damos voltas e voltas, mas não conseguimos tomar nenhuma decisão.

 

O ser humano é um animal de hábitos,e, como tal, tudo o que é novidade provoca medo. Assim foi, assim é e assim será. Por outro lado, a auto-reflexão de cada um de nós pode valer mais do que por si só: sim, essa reflexão é usada para tomar decisões. Mas o ser humano pode e deve tomar partido das coisas boas que essa auto-reflexão pode acarretar: conhecer-se melhor a si próprio, testar os seus limites, testar a compaixão e o grau de companheirismo daqueles que o rodeiam. Bons e verdadeiros companheiros não interferem na tomada das nossas decisões, mas antes tomam o papel de tutores que nos guiam e nos ajudam a chegar ao melhor porto possível.

 

Neste cenário, não há margem para dúvidas: linearidade está longe de ser a melhor palavra capaz de descrever o ser humano e as suas decisões. Temos um ser humano capaz de matar milhões e milhões de pessoas numa guerra, capaz de eleger Donald Trump e perto de ser capaz de eleger Bolsonaro. Mas também temos um ser humano que parte à descoberta da lua, que procura erradicar a pobreza, que ajuda aqueles que mais precisam. E estas pessoas não são pessoas necessariamente diferentes. São antes pessoas que em alturas diferentes da vida, tomaram decisões corretas, mas que também em outras alturas não as tomaram da melhor forma.  Se todos nós queríamos tomar sempre decisões acertadas? Claramente que sim. Se algum dia isso vai acontecer? Oxalá que não. Porque sem errarmos, estagnamos. E evoluir, tomando umas decisões certas, outras erradas, faz parte da essência que é ser humano.